Já foi grandioso por ser a primeira medalha de ouro do país nos jogos, mas aí foi ouro de uma guria negra, da Cidade de Deus, do Judô, que tem no olhar uma história de aventuras e muitas desventuras, que se agarrou com unhas e dentes ás oportunidades que passaram por ela.
Eu chorei e chorei muito assistindo a entrevista dela, porque eu sou loira do olho claro, classe média, estudei em colégio particular e o mais próximo de uma violência que estive foram dos meus vizinhos traficantes. Chorei porque mesmo tão diferente dela, me identifiquei... somos brasileiras, somos guerreiras, não desistimos com a primeira derrota e temos o apoio incondicional de nossas famílias.
Lembro que quando comecei a praticar Jiu Jitsu, lá em 2013, ainda morava com a minha mãe. Ela sempre foi muito mente aberta, mas ver sua menina treinando com outros homens não pegou bem pra ela. Não a culpo, quem não conhece a arte, realmente pode entender mal o que realmente se faz dentro do tatame.
Enfim... uns 6 meses depois me mudei de casa (queria saber como era morar sozinha) e o Jiu Jitsu permaneceu na minha vida. Dizer que me apaixonei é pouco... lembro a primeira vez que pisei no tatame: uau!!!! Eu era a única mulher no treino, estava sem kimono, mas nem ligava. A sensação de estar em casa, no lugar certo, fazendo o que se ama me inundou de um jeito que só o que eu queria era treinar mais e mais.
Deixo aqui um texto que postei no meu Facebook há alguns meses e uma foto de uma das minhas tatuagens que representa muito meu amor pela arte:
Sempre me perguntam porque eu, uma pessoa que faz ballet ucraniano decidiu fazer também Jiu Jitsu.
Sempre respondo que é uma coisa sem explicação, eu odiava musculação e queria algo que me fizesse sentido. Que quando piso no tatame, deixo do lado de fora qualquer coisa negativa e quando saio de lá, trago para fora muita coisa positiva.
Tem pessoas que não entendem e nem peço que assim o façam, porque isso está mais em sentir do que ver...
Eu não sou uma atleta, nem almejo isso. Minha paixão pelo JJ é mais complexa e profunda do que qualquer pessoa possa imaginar. Faço por mim, pela família que a Favela nos dá, pelas amizades, pelos treinos com garra, porque ali dentro é meu Templo e ninguém jamais poderá me tirar!
Entre pessoas que me julgam e àquelas que me olham torto, fico com o meu kimono e minhas tatuagens e também com todos que de alguma forma me incentivam a permanecer nesse estilo de vida que tanto amo: JIU JITSU GOOD VIBE
Sempre respondo que é uma coisa sem explicação, eu odiava musculação e queria algo que me fizesse sentido. Que quando piso no tatame, deixo do lado de fora qualquer coisa negativa e quando saio de lá, trago para fora muita coisa positiva.
Tem pessoas que não entendem e nem peço que assim o façam, porque isso está mais em sentir do que ver...
Eu não sou uma atleta, nem almejo isso. Minha paixão pelo JJ é mais complexa e profunda do que qualquer pessoa possa imaginar. Faço por mim, pela família que a Favela nos dá, pelas amizades, pelos treinos com garra, porque ali dentro é meu Templo e ninguém jamais poderá me tirar!
Entre pessoas que me julgam e àquelas que me olham torto, fico com o meu kimono e minhas tatuagens e também com todos que de alguma forma me incentivam a permanecer nesse estilo de vida que tanto amo: JIU JITSU GOOD VIBE
