Foi assim, sem muita emoção e bastante baba, quando beijava então pela primeira vez, que escutei o tão sonhado "eu te amo". Mas espera: tão sonhado por quem?
Estava então com meus 14 anos (atrasada em relação às amigas), dando meu primeiro beijo no gordinho rejeitado por todas as outras garotas e como se já não bastasse, o guri ainda me sai com essa de "eu te amo".
Não sei se ele esperava que eu falasse que também o amava, mas eu ri... ri de nervosa e de achar engraçado um menino quase moleque, sair com essa tirada. Pra mim isso era coisa de gente grande ou daqueles atores de filmes e novelas.
Pode ser que em algum momento da vida, ele deve ter escutado que mulher adora ouvir essas três palavras e resolveu testar logo comigo 😅😒
Sempre considerei que essas palavras eram como um segredo: deveriam ser sussurradas apenas à pessoas de extrema confiança nossa e de preferência não se repetir muitas vezes. Um sapato muito usado vai se desgastando, puindo e chega um dado momento que rasga e deixa de fazer sentido usá-lo.
Falar "eu te amo" era pra ser algo especial, para momentos especiais, com pessoas especiais. É uma frase carregada de sentimentos (ou deveria ser) onde você coloca seu coração para fora do peito e o deixa ali, vulnerável, desprotegido.
É maravilhoso escutar essa frase daquela pessoa que faz nosso coração acelerar quando chega perto, ou de um familiar, ou de um amigo querido. Temos a certeza que de algum modo, aquela pessoa nos quer bem, que ela sente algo tão lindo e gigante, que transborda pelos lábios em um EU TE AMO!
Amar é tudo de bom, ser amado, mais ainda. Mas aos desavisados, informo que todo ser humano tem um estoque de "eu te amo" que deve ser usado regradamente para não faltar antes do fim...
Então, ao garoto que me entregou seus sentimentos e eu ri, peço desculpas. Você desperdiçou ao mínimo um "eu te amo" com a menina que mal sabia o que era um beijo de língua, imagina esse emaranhado de sentimentos que nos levam a falar: eu te amo
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